Quantas vezes ouviamos, com a nossa cabeça na mesma linha que o joelho do nosso avô, que a vida é dura?
Sempre duvidei dessa frase.
Ansiava ser adulta para sair de casa com as chaves na mão. Queria tanto ir ao parque sem ter de justificar essa volta. A vontade que eu tinha de estar do lado de fora.
Quando é lá que moram os monstros todos; do lado de fora deste véu de segurança.
É lá que acontecem os acidentes. Os encontros para o fim. As urgências.
Hoje, percebo a sorte que tive em encontrar o refúgio cá dentro.
Mas como é que conseguimos ler a sorte sem pôr os pés do outro lado? Como é que eu conseguiria calar a urgência de abrir a janela sem pôr a cabeça de fora?
E não será essa a beleza deste acaso?
Estar para sair. Sair para voltar. E limpar os arranhões para outra queda certa — ainda que aconteçam sempre no momento incerto.