Foi num sábado qualquer em que resolveste juntar-te ao nosso plano e ir a uma aula de pilates.
Um sábado qualquer em que fui ter convosco a tua casa e conheci o Pintor pela primeira vez.
Um sábado qualquer em que caminhamos pelo parque da Pasteleira e experimentamos as máquinas de exercício físico para a terceira idade.
Um sábado qualquer em que apalavramos um próximo encontro.
Um sábado qualquer em que cantavas sempre a mesma música na viagem até casa.
Um sábado qualquer em que me despedi de ti com o mesmo cumprimento.
Um sábado qualquer que se tornaria o último dia.
Dificilmente saberemos qual é a última fotografia que tiramos com alguém.
E ainda bem – imaginem a quantidade de vezes que repetiriamos o gesto na esperança de eternizar um momento imaculado.
Quando as pessoas desaparecem, achamos que vamos viver mais intensamente todos os amores que cultivamos.
Apercebo-me que os vivo com mais paciência, mais margem para o erro, menos tempo para a saudade.
Com o passo menos acelerado, com a urgência mais contextualizada.
Verbalizo a certeza do que sinto por eles com mais frequência. Agarro com mais força no até amanhã.
Não aprendi nada, só reforcei a certeza do que tinha ficado adormecido: somos um acaso, uma sorte e um azar interlaçados —
e ainda que essa teia não se desembarece, é nos braços dos outros que se esquecemos as partes e aceitamos o todo.