Mais a Norte de Portugal, há encantos sem igual
Onde o campo se prolonga para lá do horizonte.
Onde as mulheres arregaçam a tradição às mangas,
Imortalizando memórias em tachos levados ao lume que segredam histórias.
Da necessidade de sustento nasce a obra do paladar
Que a raça nortenha adocica com o seu jeito despenteado de ser.
Fortes e decididas no tato, onde mais uma pitada de sal é sempre bem-vinda,
Atentam ao caldo verde, à sardinha e aos pimentos levemente queimados.
Com um sorriso caloroso e olhos que expressam mil e uma lições,
É na mesa farta que se permitem ser interpretadas por quem lá passa.
Seguras do que oferecem e da essência que carregam em cada passo,
Confiam no tempo marcado a sabedoria dos antepassados:
No tempo de cozedura do arroz,
Na quantidade de cominhos das papas de sarrabulho,
No carinho em que são envolvido os ovos do pudim,
No corte exato das batatas que acompanham o bacalhau.
Em cada prato, uma nova celebração.
Em cada garfada, uma alma que se renova.
Em cada mesa regada a barulho, a reafirmação que nada mais importa.
Em cada colher lambuzada, um filme a cores da nossa costela nortenha.
A viagem pelas terras a norte de Portugal é o início de tudo o que se adivinha prazerosamente efémero.
A elas. Por elas.