Pausa a meio

Amanhã é feriado.

Nunca mais me lembrei que amanhã poderia ter a oportunidade de ser mais livre do que hoje.

Nunca mais tentei abraçar o tempo que se aproxima com planos com os outros os afazeres comigo mesma.

Queres ver que é desta que cedo à pressão de ver o calendário totalmente preenchido?

Como é que, a horas do dia de descanso, poderei pernoitar com a ansiedade de nada ter para ocupar o tempo?

Onde é que posso ir buscar a sabedoria dos mais velhos que vivem o tempo como se ele não lhes tivesse a acabar?

Como é que deixo de ter medo de deixar de semear caminhos, como se isso validasse toda a minha existência?

Ensinem-me a deitar no sofá sem o peso de sentir que estou a perder algo; estou sempre a perder algo:

Quando não vou àquele café e até mesmo quando decido ir.

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