O sítio

Através da janela do meu ginásio, vi um senhor à espera.

Percebi que esperava por alguém quando se levantava várias vezes para perceber melhor se a pessoa estava a aproximar-se.

Desiludido pela expetativa e entusiasmo que havia acumulado, sentava-se de novo com os olhos postos no chão.

Até que, finalmente, ela chegou.

Era ela; mesmo.

O olhar fixou-se. O abraço apertou. A mão entrelaçou-se, numa mecânica nova mas já familiar para ambos.

Descem a rua do parque e deixo de os ver.

Pela hora, presumo que vão almoçar juntos.

No dia seguinte, a mesma coisa. E assim sucessivamente.

Um ano depois, continua a esperar por ela no mesmo banco.

O olhar já não fica tão acelerado mas continua ternurento.

É claro que ainda se vão esperar amanhã. E depois.

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