Dentro do comboio, mergulhada no telemóvel — parece que nem leio. Que sou aborrecida e nem valho as tentativas.
Mas li de manhã.
Posso não ter forma de o provar, entretanto o meu dedo já passou pela maçã, pelo teclado, pelo meu cabelo.
Espero que confies que sou muito mais interessante do que aquilo que te apresento no comboio.
Aliás, estes momentos fugazes de burrice controlada são muito necessários para todos os afazeres que hei de inventar para ser mais capaz, mais isto, mais aquilo, mais, mais, mais, mais, mais, mais, mais.
Por isso, por favor, acredita: até nem sou péssima. Valho mais do que esta capa que hoje escolhi pôr para não ter de lidar com tudo aquilo que mói.
Mas enquanto me olhas, vejo-me tentada a tirar da mala um kit de crochet que nem trouxe; nem tão pouco tenho.
Mas assim, aos teus olhos, tornar-me-ia maior. E enquanto ganho centimetros, também me sinto a crescer de um amor que brota cá dentro.
Daí que quando este episódio terminar na próxima estação de comboio, acabe sempre por tombar desse salto.
E assim, volto à estaca dois do exercício mais díficil do mundo:
Perceber que sou, independentemente de.