Tenho duas mãos — uma para segurar e outra para largar.
Treinei a que agarra durante anos, garantindo que seria forte (mas rápida) quando é necessária.
No entanto, esqueci-me de fazer o treino oposto com a esquerda por achar que o instinto de deixar cair seria natural.
Hoje, precisei de largar; e não consegui.
Ambas as mãos agarraram, talvez por nunca ter sabido ordenar a ação contrária.
Sem fisioterapeuta capaz de me ajudar, volto a estudar a ciência de deixar ficar, abrir os dedos e relaxar a mão.
Pode ser que amanhã não tenha vontade de apanhar estes vidros que alguém estilhaçou.