Dava-me tanto jeito acreditar em vidas passadas.
A explicação mística sossegaria a minha necessidade de cruzar sinais, entender coicidências, escrutinar encontros.
Se eu pouco tivesse que ver com isso, libertar-me-ia da exigência de agarrar esses grãozinhos de areia e de os analisar ao microscópio.
Ao serem levados pelo vento, saberia que, se estivesse escrito, voltaria a agarrá-los noutra praia qualquer.
E caso se colassem a mim, que remédio teria em levá-los por ordem de uma entidade qualquer que nem conheço.
Mas enquanto estou presa à lógica, desromantizado todos os areais e até o mar quase se torna apenas água.
Ainda que não saiba morar deste lado, encontrei o culpado: um mapa astral onde a aura pisciana comanda.