É tudo tão

Tapo os olhos para o confronto com o belo ser menos penoso.

A ideia de que vou morrer sem ver tudo dá-me vontade de cair já.

E de que vale marcar os próximos voos com tanta sede daqueles que nunca vou agendar?

Para quê subir ao pico daquela montanha se nunca vou mergulhar no mar que banha o outro lado do planeta?

Em casa, não sou refém de memórias por criar.

Em casa, pode ser tudo igualmente belo; e melhor, familiar.

Por isso, fico.

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