É nestes momentos que regresso à adolescência.
Fazer a mala para um festival é um ritual que exige reflexão e método:
Levo 2 camisolas? Não será melhor levar 3? Posso sujar a primeira, emprestar a segunda e precisar da terceira.
Faz sentido levar uvas? Será que ao segundo dia já me esqueci da existência delas e só volto a lembrar-me quando o cheiro a bolor invadir a tenda?
Esta amostra de gel de banho é suficiente para 5 dias? Aliás, qual é a quantidade certa?
Dado que procuro um detox tecnológico, estas powerbanks serão suficientes, certo? Mas e se aquela, que não uso há anos, já estiver pronta para a reforma e eu só posso contar com a vitalidade daquela pequenina que me ofereceram como brinde num concerto em 2016?
Um par de sapatilhas é suficiente. Será que o mesmo se aplica às sandálias? Elas têm o hábito chato de abrirem depois de serem vítimas de pés dançantes por 3 verões seguidos.
Depois de muitas conclusões que resultam de anos de conhecimento empírico, é hora de pegar em toda a tralha e perceber qual é o melhor tetris que este corpo consegue suportar.
Segue-se o sofrimento de carregar todo este material por terrenos sombrios e pantanosos, até chegarmos ao destino final que se apresenta, vejam só, igualmente sombrio e pantanoso.
Largamos tudo, como se a jornada estivesse concluida.
5 minutos depois, sentimo-nos prontos para colocar mãos à obra e montar tendas que ficarão semi-presas ao chão com a ajuda de pedras estrategicamente (ainda que aleatoriamente também) colocadas no recinto.
Agora, sim: o descanso. Deitada no colchão que tem marcas de guerra de eventos passados, concluo que estou disposta a jogar este jogo; até quando tiver de incluir um andarilho nesta lista.