a língua que brinca e que tão bem se apropria da raiz para libertar novas palavras
as pessoas que, cientes das conjunções adversativas, escolhem a gargalhada aberta
o “não sei dançar” que é automaticamente substituído por uma urgência de ritmar qualquer roda de samba
o arroz que sobra, mas pior seria passar vontade; e deus nos livre que falte arroz
a forma como reivindicam o seu lugar, seja com que roupa for
a certeza de que a idade é uma sorte, cada vez que vejo um grupo de amigas marcadas pelo sol do rio que as torra há tantos anos quanto aqueles que fazem do pagode uma rotina
a incredibilidade perante a vista à minha direita cada vez que regresso à superfície em cada mergulho que coleciono
a doçura que nos desfaz e seduz cada vez que o carioca fala sobre este pedaço de terra
tornando o regresso uma inevitabilidade
porque é gostoso demais!