o Dinis

que me recebeu de olhos no chão, raiva por dentro e timidez a escorrer por todos os poros.

Nunca o olhei como um desafio, nem me vi a mim própria como a heroína da sua história; pelo contrário.

Aliás, talvez tenha sido mesmo ele que me salvou desse complexo, quando percebi que não somos capazes de salvar o mundo, mas que podemos transformar aquele universo vastíssimo que habita na cabeça de cada criança.

Porque ao falar, como quem as ouve primeiro, mostramos que há tempo para elas — e que esse tempo é sempre mais valioso do que aquele que perdemos nos intervalos da vida adulta.

Vi-te, ouvi-te, sei de ti como pessoa-esponja do mundo. Torço para que vejas o bom nos outros e que esse lado solar te amoleça as sombras que todos carregamos dentro de nós.

Mas também torço para que não apagues a revolta que habita em ti — que ela seja o fogo que te impele a mudar o que não pode continuar igual.

O mundo não se salva sozinho, mas sou capaz de jurar que começa a mudar com ele.

Deixe um comentário