todos os dias, mais seguidores. visualizações. comentários.
todos os dias, o fruto do que muito desejei: que a minha parvoíce chegasse mais longe.
esqueci-me que, ao desejar o que está a acontecer, teria também acesso ao que não me apetece muito encarar: o ataque gratuito, o espelho no aspeto, o denegrir do que as mulheres já têm tanta dificuldade em sustentar.
a autoestima não se constrói rapidamente, mas é assustadora a facilidade com que se desce pela encosta abaixo.
não sei se acredito em tempos certos para cada coisa acontecer, mas respiro de alívio por receber esta avalanche de opiniões sobre mim com trinta anos de piso sobre este planeta — e muitos tantos de escrutínio sobre os meus olhos, o meu nariz, o meu sinal, os meus seios, o meu rabo, a minha anca, a minha demasiadez, a minha anormalidade, a minha.
reclamo estas palavras e dou-lhes a roupagem que me assenta melhor.
eu sou — e sempre serei — o que eu acreditar que sou.
e os outros vão sempre achar-me como lhes apetecer ver.
e lá pelo meio, rompemos com a liberdade que nos permitem.