Vivo na altura em que qualquer dificuldade de esquecimento é explicada pelo tipo de vínculo de relação que desenvolvemos com os outros.
E isso desromantiza o tão bonito processo de não entender a queda mas de, forçosamente, à força de uma força que não se toca nem se vê, não haver outra opção senão a de ficarmos presos a esse chão que nos segura e equilibra a ausência de poder de controlar o que sentimos quando aquela pessoa se apresenta à nossa frente.
Explicam-me que, provavelmente, tive uma figura parental emocionalmente ausente e daí agarrar-me a estas metáforas durante mais tempo do que aquele que a história permite.
Antes, não havia livros sobre isto. A mística era maior e eu sei que pertenço a essa corrente. Sofro mais, é verdade.
Mas a psicoterapia já me explicou; e eu entendi. O tempo já me mostrou; e eu aceitei.
A dificuldade continua presente em todo o subtexto. E por muito que me desse jeito passar para o outro lado desta parede, é nesta dificuldade que releio significados e volto a aninhar-me no chão.
Amanhã tento subi-la de novo.