ouço-a

protegida pelas paredes, ouço-a cair sem o risco de me encharcar.

vejo-a viajar das nuvens até à superfície, onde se deixa escorregar, desaguando em tantos sítios e formas diferentes.

imagino as raízes a recebê-la, com saudades.

penso na forma quase infantil como os carros se queixam dela.

e nos humanos — que fazem da roupa molhada uma chatice — enquanto eu, privilegiada e abrigada, só agradeço a maneira como me embala nesta sexta‑feira.

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