dores de crescimento

não é nas articulações, tão pouco nos músculos.

é no pequeno que este sitio que habito se torna para a enormidade dos meus sonhos.

ao longo deste ano, os meus pequenos braços deixaram de conseguir agarrar o meu futuro; tive o deixar ali no chão, a acumular pó.

mas já não dá para evitar o monstro que habita esta sala: tenho de o mover. de o levar comigo. de o meter às costas.

tudo é grande para o pequeno que aqui se constrói, ainda que saiba que lá tudo se inverte: o que carrego comigo tornar-se-á levezinho quando comparado com a bagagem dos outros.

mas ainda nem fui, poupo-me a esse exercício ingrato de olhar para o que levam os outros consigo. é fácil criarmos a ilusão que naquele comboio só existe lugar para um quando estes lugares se constroem por nós próprios.

vamos criando o roteiro todos os dias, até que um dia ganhamos distanciamento suficiente desse tempo e conseguimos ver as malhas dos cruzamentos e perpendiculares.

hoje, já o seguro na mão. e só me falta o bilhete, que o caminho já o tracei.