Desperta

Nunca tentei travar o teu caminho para a felicidade; não sabias bem o que fazer, ajudei-te sempre. Não sabias o que fazer com as mãos, se devias focar o olhar nos olhos dela nem quando começas a exagerar, pois estás na fase de descoberta. Não a conheces. Ainda não disseste mal dela. Ainda não viste ponta de maldade, então espera.

Mas tens de perceber, é normal. Não ponhas as mãos na cara cada vez que nada correr como pensaste. Não desistas nem te deixes levar por corações inteiros, como o teu, que nem dor sabe o que é. O preto vem, como o branco veio. O vermelho fica, mesmo quando o preto se atravessa e parece não ir embora. Tens de ter verde no coração e saber alimentar esse vermelho.

Aqui chama-se amor, podes dar o nome que quiseres. Quando acabar, não vai defini-lo como amor, quando o esqueceres, voltas assim a chamá-lo. Não por saudades, não porque queres que volte, porque é assim. E até alguém deixar de ser humano no que toca a isto, será sempre assim. Por isso te digo, corre essa estrada vermelha e não te assustes com o preto, está encoberto pelo branco, sim já te tinha contado episódios horríveis, mas quero que lutes, sim? Tinha acabado de ver todas as minhas esperanças a cair no fundo, uma guerra perdida, um jogo acabado.

Apesar de suspeitar da natureza masculina, pensei, como sempre, que aquele era diferente. Foi preciso ver pra assimilar, nem os amigos nem as coincidências me faziam perceber. Na recta final do jogo do amor, não me pude entregar. Fugi quando assisti ao acto da natureza masculina, se assim se pode chamar, há quem lhe chame virilidade, mas o nome é infidelidade. Será normal para eles? O que lhes percorre pela mente pra nao pensarem nas consequências?

Podem amar e trair? Nem questionei se podia jurar fidelidade, juras toda a gente as faz. Um jogo mal jogado, um mau resultado. Quem sabe jogar ou adivinhar o seu fim? Ninguém: joga-se e com sorte ninguém sai vencedor nem vencido.

Nunca me mostraste o que te fascina; então mostra-lhe. Conta-lhe as coisas estúpidas que fizeste, mente-me, mente à vontade, cria um fascínio dispensável nela, cria, por favor. Fá-la querer que era contigo que esquecia o passado e via o futuro. Fá-la chorar, desperta-me o que nunca ninguém o soube fazer. Grita, assusta-a, fá-la ficar assustada, cair da cadeira de tanto rir, sorrir com uma mensagem que nunca pensou receber.

Surpreende-a, mostra-te como não és. Inventa uma nova faceta. Não cais no erro de seres normal. Não faças do seu desejo uma ordem; faz, sim, do que nunca pensou uma realidade. Se erra, mostra-lhe; mostra-lhe e fá-la esquecer o orgulho. Ela só quer que lhe mostres um lado que nunca ninguém viu, viveu nem jamais irá conhecer.

Deixe um comentário