Carta de uma mãe

Não sei o que é pior — olhar para eles ou viver através deles. Ver os castelos que constroem na areia a desfazerem-se pela brisa do vento ou ter a urgência de lhes avisar que há castelos que se vão desfazer ainda mais rápido.

Não sei o que é melhor — saber que ainda estão longe de descobrir o que é vê-lo a cair ou ter a certeza que a fome de o reconstruir vai ser ainda maior.

Sei de uma coisa: se forem como a mãe, o luto de uma derrota só poderá acontecer com as mãos a remexer de novo na areia sem medo que ela se crave nas unhas, até terem um império.

Já ouvi falar de pedras no caminho, mas eu quero mesmo que caia um pedregulho; grande e assustador o suficiente para perceberem o quão breve é o momento em que conseguem achar que o controlo é vosso. Ainda assim, não se deixem ficar por aí.

Precisamente por não ser falta de sorte, mas sim uma lição: há sempre um amanhã e uma praia reservada para as vossas construções. Há sempre areia, só depende da vossa vontade.

Eu quero que vocês construam e espero que só sintam uma brisa suave a soprar-vos no rosto; mas lá fora o mundo não pensa assim.

E aqui estou eu, sempre, para impedir que destruam os vossos sonhos, sejam eles feitos de que matéria forem. Porque sei outra coisa — são a única verdade a que nos podemos agarrar.

Deixe um comentário