Numa sociedade que nos incentiva a sentir tudo rapidamente, pode ser desafiante deambularmos tempo suficiente para nos apercebermos do quão fomos seduzidos — pela deficiência sensorial, pelo holofotes, pela condição do conforto.
Não há tempo de olhar para o mar como se fosse a primeira vez.
Não há a aceitação da procrastinação sem a culpa consequente.
Não há o incentivo ao estar sem extroversão.
Só sentimos verdadeiramente quando existe a iminência da perda ou quando ela se manifesta o que serve o propósito inicial num método baseado na consciência do fim. Quantos desfechos serão necessários para fecharmos essa porta de uma vez e abrirmos espaço para sensações livres de motivos?
Parar a dormência e estar completamente presente, desafiando o conflito de pensamentos que navegam pelo nosso cérebro, é um trabalho que nunca acaba. É a aprendizagem necessária para resistirmos à facilidade de nos sentirmos indiferentes num mundo que nos dá tanto para explorar.
É entrar em contacto com a nossa humanidade.
É ser.