Chegar ao Boom e esperar 12 horas pela entrada no recinto não ajuda a desvendar o que espreita pela janela nos próximos sete dias.
Tirando de parte o facto que dormi pouco, respirava mais pó do que ar e tinha mais sede do que qualquer manhã de ressaca, foi uma das semanas mais únicas da minha vida.
Senti que vivia num vila comunitária em que cada um tinha a sua função bem definida, ainda que a da maioria fosse apenas: existir.
Entre manhãs em que a maior preocupação era barrar generosamente o pão com manteiga de amendoim e escolher a banana menos madura, até tardes em que a reflexão mais preocupante era o número de mergulhos que dava no rio, culminando em conversas noturnas em que acabavamos por conhecer melhor o grupo do que em anos de convívio.
No fim, a madrugada despedia-se dos nossos movimentos embalados ao som de músicas que nos libertavam e nos permitiam, simplesmente:
Estar e ser.