Não sei o que fazer com tanto tempo que não planeei, que não organizei, que não soube antecipar.
Agora, resta-me recebê-lo de braços totalmente esticados, com a ânsia de quem quer tanto fazer que acaba por não saber estar quando, de facto, faz.
Esta coisa de ter de esperar pela confirmação dos outros, pelo tempo dos outros, pelos afazeres dos outros, traz ao de cima o pior de mim: a impaciência para viver em stand-by.
Por isso, escolhi ir ver o filme sozinha. Fui comer as panquecas sozinha. Vi a exposição sozinha. Comprei os anéis sozinha. Passeei com a minha sombra.
Até que o tempo dos outros se entrelace no meu, não me vou impedir de preencher horas com cheiros, sabores e quadros novos.