O embate com a certeza do fim é sempre tão seco.
Em crianças, deveriam explicar-nos com mais objetividade e menos floreados o que significa estar vivo. Só há uma resposta certa — que os dias passam a estar contados.
Poderiam, depois, avisar-nos que ao longo da nossa vida receberemos notícias tão dilacerantes que põem em causa todo o trajeto que construimos até nos verbalizarem as palavras:
Ele está no hospital. Vamos falando.
Saber como digerir estas palavras é desumano.
De um momento para o outro, voltamos a ser pequeninos e só queremos dar a mão à nossa mãe.
Olhamos para cima, à espera de uma resposta que nos ajude a sarar a ferida que se abre quando nos apercebemos do quão pertubador é nos esquecermos de valorizar o tempo. Os outros. Os olhos nos olhos. As frases que são ditas depois da meia noite. Os abraços embebidos em bagaço.