A violência do fim denuncia o quão doces foram esses anos.
Que as pausas nunca nos tornem amargos,
Que nunca nos deixem medrosos do amanhã,
Que nos permitam realmente ficar no presente,
Presentes com eles,
Sem a ânsia de cravar as unhas,
Já que é inevitável o destino de tudo nos escapar por muito força que tenhamos.
Nesta vida ainda não calhámos pássaros,
Mas acho sempre que és tu,
Quando um bicho com asas me escolhe como pouso.
E mesmo se não fores,
Mesmo se o nosso destino for o vácuo,
Mesmo se o fim significar isso em si mesmo,
Nesta vida já foste tantos papéis,
De que vale agora cobrar-te um regresso
Se o testemunho das 28 voltas ao sol
Já te te torna imortal?