Digo-lhe que tem um perfil bonito.
Devolve-me a mesma constatação, como se não fosse uma mentira absoluta.
-Eu gosto, dá-te personalidade. E tens tantas sardas.
Começo a acreditar que pensa assim: que, de alguma forma que não consigo encaixar, encontra beleza no alto do meu nariz.
Beija-me a cara, o pescoço e os lábios durante tempo suficiente para eu saldar a dívida de amor-próprio.
Questiona-me as perguntas, devolve com mais curiosidade e pior: no dia seguinte lembra-se das minhas respostas.
À noite, já embriagados pela curiosidade de continuarmos a explorar a dança que os corpos voltam a exigir, fazemos paragens obrigatórios para descobrir o passado e beijar as feridas que por lá ficaram.
Deito-me abraçada e ele, ciente do risco; mas ainda mais lúcida que é fascínio isto que sinto.